sexta-feira, novembro 18, 2011

Opostos e agradáveis complementos
















Minha mão fina, sua mão grossa
Meu frio, seu calor
Meus risos fáceis, sua timidez
Minha poesia, seu violão
Minha loucura, sua estabilidade
Minha liberdade, seu companheirismo
Meu cachorro, sua rinite alérgica
Meu acaso, seus caminhos trilhados
Minha energia, sua calma
Minhas estrelas, sua Lua
Meus livros e cadernos, sua guitarra
Minha câmera fotográfica, seu Rock
Meu pé descalço, seu tênis
Meu sapato alto, seu tênis, de novo
Meus verbos, seus adjetivos
Minha água de côco, seu Whisky
Minha bolsa enorme, sua mão vazia
Meu telescópio, suas histórias
Minhas histórias, seu violão
Minha cidade, seu sítio
Minha aflição, seu sítio
Meus medos, suas certezas
Minha princesa, seu herói de quadrinhos
Meu herói de quadrinhos, sua princesa
Minha Nova York, sua Londres
Minha pouca altura, sua muita altura
Minha pontualidade, seu relógio
Minha flexibilidade, sua objetividade
Meu doce, seu salgado
Meu doce, sua sobremesa
Meu sorvete de frutas, seu sorvete de flocos
Meu sol, sua chuva
Minha torrada, seu café preto
Minhas fotografias, suas lembranças
Meus textos, seu aconchego
Meu cuidado, seu dengo
Meus torpedos, sua insônia
Minha carência, seu abraço
Minha vida, sua vida.
E assim vamos nos misturando.

quinta-feira, novembro 10, 2011

Time flies.

Esse ano, mais do que em qualquer outro, me deparei várias vezes assustada com a rapidez com que os dias e meses vêm passando. Sei que isso é coisa comum de se dizer quando o final do ano está chegando, é de praxe. Eu sempre reparava naquela pessoa que todo final de ano diz "É... estou ficando mesmo velha". Esse ano, quem diz isso sou eu. Mais do que pela idade, mais do que pelo tempo de vida em si, pelas histórias e mudanças que tenho vivido. Tenho dito que sou uma jovem anciã. O paradoxo, nesse caso, é a melhor forma que tenho para explicar como me sinto. Jovem por ainda ter muito o que aprender e anciã pelo quanto já aprendi.
É tão forte você perceber o poder do tempo. O quanto ele te muda, ou o quanto você muda com ele, como queira. Tantas pessoas passam por nós, deixam sua contribuição e simplesmente se vão, seguem seu caminho. Isso me faz perceber que tudo tem uma relação, um propósito. O quanto nossas vidas seriam diferentes se cada pessoa não estivesse no seu devido lugar. Não sabemos o que vai acontecer, não podemos planejar nada, amanhã é sempre uma surpresa, hoje já é uma surpresa.
O tempo voa e não há um modo para impedir isso. O tempo passa por nós sem que possamos nos dar conta do quão rápido tudo isso acontece.  Tantas linhas se entrelaçando, tantos nós se desfazendo... e é tudo vida.

quarta-feira, novembro 02, 2011

Cold


São em noites como essas, que algumas pessoas deixam por algumas horas toda essa fantasia de gente insensível, toda essa armadura de dizer que não precisam de ninguém. É com toda essa música, nesse frio, que percebe-se a falta que faz aquele alguém, aqui. Sejamos sinceros, nesse mundo, onde cada um está preocupado apenas com sua individualidade, apenas em se proteger de qualquer sentimento mais forte, sortudos são aqueles que se permitem.
No fundo, todo mundo quer alguém que deixe deitar no colo, alguém que penteie os cabelos com os dedos, deitados na cama, antes de dormir. Alguém que pegue no colo, que segure na mão. É isso... The Beatles tinham todo o segredo, desde o princípio... alguém que queira apenas "segurar sua mão" e andar por aí. Sim, no fundo todo mundo quer um pouco daquele clichê, com direito a sair pra tomar sorvete, com direito a café na cama, com direito a torpedo na madrugada. Não precisa ser nada muito avassalador, basta ser confortável o suficiente pra andar ao lado do outro, em silêncio.