terça-feira, março 27, 2012

Aqueles passos.


Primeiros passos nunca são fáceis. Na maioria das vezes, acaba sendo necessário um suporte, um empurrão, uma mão pra segurar. Nesse caminho, algumas das poucas certezas que temos são das quedas e das reerguidas, caso contrário, sequer poderíamos chamar de caminho, pois um passo e uma queda não seriam suficientes pra isso.
Seguir adiante, passar a página, mudar o disco, go ahead, continuar a direito. Chame como quiser, o objetivo de todas essas expressões é o mesmo: dar continuidade, mas por um novo caminho. Às vezes, nos prendemos a um ponto e, por mais que aquilo limite, atrapalhe e, de certa forma, até machuque, já estamos tão acostumados com aquela segurança, que acontece o erro de nos acomodarmos com o que não está bom. Chega um dia, porém, que você acorda inspirada e pensa que hoje é dia de tentar, de novo, pela alguma 'ésima' vez. Hoje é dia, seja lá qual for o resultado.
Sei que carregamos nas costas uma mochila cheia de histórias vividas e que não podemos decidir, simplesmente, por deixá-la em algum canto, e partir, como se nada tivesse acontecido ou tivesse sido deixado pra trás. A dificuldade está aí! Se não podemos abandonar essas memórias, como conviver com elas? A resposta, ao menos provisória, é que as lembranças vão ficando no fundo da mochila, para que as novas histórias, os novos momentos, os novos aprendizados tenham espaço e se acomodem na mochila, na na cabeça e, quem sabe, até no coração.
Começar, ou recomeçar, como preferir. Esse é o objetivo, sem que mágoa seja a motivação. É uma questão de sobrevivência, é uma questão de fazer por onde acontecer o objetivo de uma vida inteira, de chegar no final com histórias suficiente para escrever um livro, que com a leitura do qual, alguém possa rir e chorar. É uma questão de crescimento, de evolução e de aprendizado.
Sei que muitas vezes dei esse passo, de acordar inspirada e acreditar que 'hoje é um novo dia' e muitas vezes também levei a queda, que vinha logo em seguida, consequência da armação de alguma lembrança esperta. Mas os passos e as quedas não eram as poucas certezas que tínhamos nesse caminho? Então, que venham, porque hoje eu vou dar mais um passo, vou acatar a data do calendário e, a cada dia, a mochila está ficando mais cheia, sem, no entanto, ficar pesada.

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